Conheça a bela história de superação de Farley Santana PDF Imprimir E-mail
Ter, 08 de Outubro de 2019 19:31

Far­ley San­ta­na com­ple­tou 18 anos recen­te­men­te, em 27 de setem­bro. Órfão de pai e mãe, sem refe­rên­cias fami­lia­res e com um his­tó­ri­co de abri­ga­men­to desde os 6 anos, ele tinha pou­cas pers­pec­ti­vas do futu­ro. Mas gra­ças à sua per­sis­tên­cia, alia­da ao tra­ba­lho da ins­ti­tui­ção onde ficou abri­ga­do nos últi­mos três anos e da equi­pe de assis­tên­cia ­social da Pre­fei­tu­ra de Con­ta­gem, a his­tó­ria de Far­ley, per­mea­da por expe­riên­cias trau­má­ti­cas, ­ganhou con­tor­nos de supe­ra­ção.
Há um mês, ele con­se­guiu tra­ba­lho em tempo inte­gral na Câma­ra de Verea­do­res de Con­ta­gem, que con­ci­lia com a esco­la, cur­san­do o 2º ano do ensi­no médio. Além disso, o rapaz será aco­lhi­do de forma não-ins­ti­tu­cio­nal por uma ­mulher que aju­dou a cui­dar dele no pri­mei­ro abri­go que ficou, dos 6 aos 15 anos. Maria Iva­ne­te e o mari­do dela, em um ato de gene­ro­si­da­de, vão ajudá-lo até que ele possa se fir­mar na vida. Por isso, 27 de setem­bro foi dia de come­mo­ra­ção dupla: do ani­ver­sá­rio de Far­ley e pelo enca­mi­nha­men­to bem-suce­di­do a um lar. Ele dei­xou o abri­go um dia ­depois.
Casos como o de Far­ley não são raros. A ado­les­cên­cia é uma etapa da vida mui­tas vezes mar­ca­da por difi­cul­da­des para o esta­be­le­ci­men­to de uma iden­ti­da­de pró­pria e do sen­ti­men­to de per­ten­ci­men­to em gru­pos ­sociais. Essas adver­si­da­des podem se agra­var por his­tó­ri­cos de vul­ne­ra­bi­li­da­de ­social e fami­liar, rea­li­da­des muito ­comuns em se tra­tan­do de ­jovens em situa­ção de aco­lhi­men­to ins­ti­tu­cio­nal, uma medi­da pro­te­ti­va, de cará­ter pro­vi­só­rio e excep­cio­nal, para o abri­ga­men­to de pes­soas de até 18 anos. Essas ins­ti­tui­ções devem estar de acor­do com as dire­tri­zes de aco­lhi­men­to, assu­min­do um cará­ter resi­den­cial, com aten­di­men­to per­so­na­li­za­do, em peque­nas uni­da­des e gru­pos redu­zi­dos.
O Esta­tu­to da Crian­ça e do Ado­les­cen­te (ECA, Lei nº 8.069/1990) deter­mi­na que o enca­mi­nha­men­to da crian­ça ou ado­les­cen­te a ser­vi­ços de aco­lhi­men­to somen­te deve ser feito quan­do esgo­ta­das as pos­si­bi­li­da­des do cum­pri­men­to das fun­ções de cui­da­do e pro­te­ção pelas famí­lias ou res­pon­sá­veis por esses ­jovens. Den­tre os moti­vos des­ta­cam-se o aban­do­no pelos pais ou res­pon­sá­veis, orfan­da­de (morte dos pais ou res­pon­sá­veis), negli­gên­cia, vivên­cia de rua, sub­mis­são à explo­ra­ção no tra­ba­lho, trá­fi­co ou men­di­cân­cia e abuso ­sexual pra­ti­ca­do por pais ou res­pon­sá­veis.
Con­ta­gem conta com três casas de aco­lhi­men­to ins­ti­tu­cio­nal para ado­les­cen­tes, admi­nis­tra­das pelo Muni­cí­pio, sendo uma femi­ni­na e duas mas­cu­li­nas. São dis­po­ni­bi­li­za­das 42 vagas. Em média, o tempo de aco­lhi­men­to é de um a dois anos, mas pode ser maior, a depen­der das situa­ções par­ti­cu­la­res. Os enca­mi­nha­men­tos são fei­tos pelo Con­se­lho Tute­lar e Vara da Infân­cia e Juven­tu­de.
De acor­do com a dire­to­ra de Pro­te­ção ­Social Espe­cial de Alta Com­ple­xi­da­de da Secre­ta­ria Muni­ci­pal de Desen­vol­vi­men­to ­Social, Cláu­dia Costa Car­va­lho, nos últi­mos três anos, a maior parte dos ado­les­cen­tes abri­ga­dos em Con­ta­gem foi enca­mi­nha­da para o retor­no fami­liar (pai e/ou mãe ou famí­lia exten­sa, como avós e tios), a maio­ria antes de com­ple­tar 18 anos. "O tra­ba­lho em rede entre polí­ti­cas públi­cas de saúde, edu­ca­ção e assis­tên­cia ­social, junto ao Con­se­lho Tute­lar e à Vara da Infân­cia e do Ado­les­cen­te, pos­si­bi­li­ta essa rein­ser­ção fami­liar e o res­ta­be­le­ci­men­to de vín­cu­los. E quan­do acon­te­ce a ado­ção, que no caso dos ado­les­cen­tes é mais rara, eles ­seguem para uma famí­lia subs­ti­tu­ta", expli­ca a dire­to­ra.
O abri­ga­men­to, segun­do o ECA, deve ser encer­ra­do quan­do o jovem com­ple­ta 18 anos. Mas há casos em que ele não tem mais ­nenhum vín­cu­lo fami­liar, e, ao com­ple­tar a maio­ri­da­de, embo­ra não possa ser sim­ples­men­te "aban­do­na­do" pelo Esta­do, pre­ci­sa assu­mir res­pon­sa­bi­li­da­des ine­ren­tes à con­di­ção dos adul­tos, rela­cio­na­das à con­quis­ta de auto­no­mia, inclu­si­ve finan­cei­ra.