Farley Santana e os encontros e despedidas PDF Imprimir E-mail
Ter, 08 de Outubro de 2019 19:30

Bem arti­cu­la­do, Far­ley afir­ma que ficou apreen­si­vo dian­te da nova fase que vai se ini­ciar em sua vida, mas que o apoio rece­bi­do ao longo dos últi­mos três anos no abri­go foi fun­da­men­tal para o enfren­ta­men­to dos desa­fios. "Essa his­tó­ria foi escri­ta não só por mim, mas por todas as pes­soas que fica­ram comi­go nes­tes três anos. Não é que eu não qui­ses­se sair, mas eu não tinha pes­soas com as quais pudes­se con­tar. Estou viven­do um momen­to muito novo. No iní­cio, eu não soube lidar com isso, mas com o tempo, com o apri­mo­ra­men­to, com as pes­soas ao meu lado, me aju­dan­do, me acal­man­do, me trans­mi­tin­do afeto e ale­gria, estou enten­den­do as coi­sas. Na ver­da­de, eu posso é con­tar com ­várias pes­soas, as ver­da­dei­ras, que se mos­tram quan­do você está em um momen­to difí­cil", res­sal­ta.
Far­ley conta que a rela­ção com Maria Iva­ne­te pas­sou por perío­dos com­pli­ca­dos, mas que seu ama­du­re­ci­men­to o aju­dou a con­tor­ná-los. "Quan­do eu tinha 6 anos, mora­va no Lar de Mar­cos. ­Fiquei nesse abri­go até os 15 anos. E quan­do eu tinha 9 anos a Iva­ne­te come­çou a tra­ba­lhar lá. Então, a gente man­te­ve um con­ví­vio até os meus 14, 15 anos. Mas teve um des­li­ga­men­to, por­que eu não me dei bem na época, eu apron­tei muito. Com o pas­sar do tempo, a Iva­ne­te come­çou a per­ce­ber as ­minhas mudan­ças e a que­rer me dar uma nova chan­ce, para ver se era uma fase de ado­les­cen­te ou se era algo pes­soal. Eu ama­du­re­ci muito, tanto é que estou estu­dan­do e tra­ba­lhan­do. Eu vou morar com a Iva­ne­te até um ponto da vida em que eu possa morar sozi­nho. Ela vai me aco­lher e me aju­dar a ama­du­re­cer mais", diz.
O jovem se emo­cio­nou com a come­mo­ra­ção dos seus 18 anos. "É minha festa de ani­ver­sá­rio e de des­pe­di­da. Não estou fican­do mais aqui, por­que vou tra­ba­lhar e estu­dar e estou che­gan­do só à noite. Eu nem espe­ra­va essa festa. Pra mim, está sendo bem difí­cil ter que me des­pe­dir. A gente vai dar uma sepa­ra­da no con­ví­vio, mas vamos con­ti­nuar a man­ter con­ta­to".
A assis­ten­te ­social da casa de aco­lhi­men­to onde Far­ley viveu nos últi­mos três anos, Cres­cia­ne Fer­rei­ra, deta­lha como come­ça­ram os con­ta­tos com Maria Iva­ne­te. "Ela já tinha um vín­cu­lo com o Far­ley e a gente ten­tou for­ta­le­cer esses vín­cu­los nova­men­te. Atra­vés de visi­tas, tele­fo­ne­mas, con­ta­tos com ela e o mari­do, íamos veri­fi­can­do qual era a expec­ta­ti­va do Far­ley em rela­ção à famí­lia e da famí­lia em rela­ção a ele, até que as duas par­tes dis­ses­sem ­'queremos estar ­juntos'. Pre­ci­sá­va­mos ter essa cer­te­za, de que o ado­les­cen­te vai sair e vai para uma colo­ca­ção onde ele vai con­ti­nuar a ser pro­te­gi­do. Ape­sar de agora ele res­pon­der por si, pre­ci­sa­mos ter a cer­te­za de que ele vai ser aco­lhi­do. Para nós, é uma ale­gria gran­de ver o Far­ley enca­mi­nha­do tanto pro­fis­sio­nal­men­te quan­to na ques­tão afe­ti­va. Nes­ses dias em que ele tem fica­do o dia intei­ro fora, a gente já sente falta. E ao mesmo tempo dese­ja­mos que dê tudo certo e que ele seja muito feliz", refle­te a assis­ten­te ­social.
O coor­de­na­dor do abri­go, Cás­sio Caio, des­ta­ca que a inser­ção do jovem no mer­ca­do de tra­ba­lho e em uma famí­lia envol­veu muita arti­cu­la­ção. "Temos essa preo­cu­pa­ção já nos meses que ante­ce­dem a saída dos ado­les­cen­tes. O enca­mi­nha­men­to da situa­ção do Far­ley nos traz essa segu­ran­ça de que ele já sairá do abri­ga­men­to tra­ba­lhan­do e con­se­guin­do ter uma renda, por causa do esfor­ço da casa, da equi­pe téc­ni­ca, das par­ce­rias pri­va­das e do pró­prio empe­nho dele. Ele já este­ve inse­ri­do no pro­gra­ma Jovem Apren­diz, tra­ba­lhan­do por meio perío­do, e a gente con­se­guiu esse enca­mi­nha­men­to para o mer­ca­do de tra­ba­lho em perío­do inte­gral. Poder con­tar com essa renda traz uma garan­tia para ele e para nós. E havia tam­bém a preo­cu­pa­ção com a inser­ção dele em uma famí­lia. Ten­ta­mos desde o ano pas­sa­do alter­na­ti­vas para essa inser­ção, e con­se­gui­mos esse aces­so com a Maria Iva­ne­te e o mari­do dela. É um momen­to de des­pe­di­da e de reco­nhe­ci­men­to do tra­ba­lho", salien­ta.