Apren­da a lidar com sete com­por­ta­men­tos estres­san­tes do seu chefe no tra­ba­lho PDF Imprimir E-mail
Sex, 01 de Fevereiro de 2019 16:53

Tem gente que diz que chefe é como nuvem: ­melhor mesmo é quan­do não apa­re­ce! Brin­ca­dei­ras a parte, ele pode ser res­pon­sá­vel não só pela lide­ran­ça do seu tra­ba­lho, mas pelo seu bem-estar tam­bém. "Pode­mos dizer que em uma área tão deli­ca­da como a da rea­li­za­ção pro­fis­sio­nal a opi­nião do chefe tende a pesar bas­tan­te no nosso humor e dis­po­si­ção do dia a dia. Mas como isso mexe conos­co depen­de da forma como fomos cria­dos e apren­de­mos a nos rela­cio­nar com ­alguém de nível hie­rár­qui­co supe­rior ao nosso", defi­ne o psi­quia­tra Rober­to Shin­yas­hi­ki, dou­tor em Admi­nis­tra­ção de Empre­sas.
Tal tese é, inclu­si­ve, con­fir­ma­da por um estu­do  feito pelo Ins­ti­tu­to de Pes­qui­sa e Orien­ta­ção da Mente (Ipom) mos­trou que 38% acre­di­tam que o mau humor do chefe e dos cole­gas é o prin­ci­pal res­pon­sá­vel pelo seu estres­se no tra­ba­lho. Para che­gar a esse resul­ta­do, foram entre­vis­ta­das 1,5 mil pes­soas. Não é de se admi­rar que muita gente lite­ral­men­te sofre quan­do a rela­ção com o supe­rior não vai bem. O impac­to chega a ser físi­co: "À longo prazo algu­mas pes­soas podem mani­fes­tar dores de estô­ma­go e de cabe­ça, mús­cu­los ten­sio­na­dos, sono pre­ju­di­ca­do e sen­sa­ção de ansie­da­de e angús­tia", enu­me­ra a psi­có­lo­ga Ana Paula Bel­la­ti, espe­cia­li­za­da em Ges­tão Estra­té­gi­ca de Recur­sos Huma­nos e dire­to­ra de pro­je­tos da UM%, empre­sa espe­cia­li­za­da em coa­ching pro­fis­sio­nal.

Por Natha­lie Ayres

Não acei­ta opi­niões e suges­tões - O pri­mei­ro passo é reco­nhe­cer: o seu chefe não acei­ta ­ideias de nin­guém, ou só as suas? Se for a últi­ma opção, tal­vez caiba a você obser­var que tipo de opi­niões você vem dando, vale con­ver­sar com ele e pedir um feed­back, veri­fi­can­do o que está fal­tan­do para que a sua suges­tão seja rea­li­za­da. O espe­cia­lis­ta em coa­ching Fabio Di Gia­co­mo, dire­tor pre­si­den­te da UM%, acre­di­ta que é pre­ci­so muita con­ver­sa para que os ruí­dos sejam tra­ta­dos antes de se tor­na­rem um pro­ble­ma de comu­ni­ca­ção. "Os cola­bo­ra­do­res pre­ci­sam saber o moti­vo de suas ­ideias não serem acei­tas, suas suges­tões pre­ci­sam ser no míni­mo ouvi­das e pre­ci­sam rece­ber um retor­no delas", acre­di­ta Di Gia­co­mo, que é espe­cia­lis­ta em desen­vol­vi­men­to estra­té­gi­co de pes­soas, com foco em lide­ran­ça e for­ma­ção de times.

Não dele­ga fun­ções, mas ­depois cobra pró-ati­vi­da­de - Não vamos vila­ni­zar o chefe que faz isso, afi­nal de conta nos­sos espe­cia­lis­tas são unâ­ni­mes ao acre­di­tar que esse tipo de com­por­ta­men­to nor­mal­men­te é feito sem que­rer. "Às vezes os líde­res têm cer­te­za de que dele­gam e não per­ce­bem que na ver­da­de estão sendo extre­ma­men­te cen­tra­li­za­do­res", ava­lia Fábio Di Gia­co­mo. O pro­ble­ma é que o fun­cio­ná­rio acaba sendo colo­ca­do no limi­te nesse tipo de situa­ção, tendo como con­se­quên­cia um pos­sí­vel deses­tí­mu­lo do fun­cio­ná­rio, além de inse­gu­ran­ça, impo­tên­cia na sua fun­ção e frus­tra­ção, como lista Rober­to Shin­yas­hi­ki, médi­co psi­quia­tra e dou­tor em Admi­nis­tra­ção de Empre­sas.

 

 

Toma o cré­di­to por ­ideias da sua equi­pe - As três pala­vri­nhas chave para per­ce­ber quan­do o pro­ble­ma é do fun­cio­ná­rio ou do chefe são: fre­quên­cia, recor­rên­cia e con­tex­to. "Um cola­bo­ra­dor madu­ro, sem mania de per­se­gui­ção e com con­tro­le emo­cio­nal, pode per­ce­ber em quais situa­ções isso acon­te­ce e colo­car ­outras pes­soas de sua con­fian­ça e matu­ri­da­de para che­ca­rem junto com ele", con­si­de­ra o espe­cia­lis­ta em coa­ching Fábio Di Gia­co­mo.

Levan­ta a voz e humi­lha o fun­cio­ná­rio -Nada mina mais a autoes­ti­ma de ­alguém do que levar uma cha­ma­da de aten­ção. Quan­do isso ocor­re em voz alta, é pior ainda! "Levan­tar a voz traz pre­juí­zos para qual­quer rela­cio­na­men­to. Em espe­cial quan­do se faz isso na pre­sen­ça de ­outras pes­soas. Sem dúvi­da que no ambien­te de tra­ba­lho isso é pés­si­mo e pode real­men­te afe­tar a autoes­ti­ma do fun­cio­ná­rio", con­si­de­ra Rober­to Shin­yas­hi­ki.

 

Não se orga­ni­za, mas cobra orga­ni­za­ção - Orga­ni­za­ção é algo muito impor­tan­te para um líder: "Um chefe desor­ga­ni­za­do cos­tu­ma, no míni­mo, redu­zir os resul­ta­dos da equi­pe, além de aumen­tar o tra­ba­lho dos seus lide­ra­dos. Em ­alguns casos, a sua desor­ga­ni­za­ção induz tam­bém a desor­ga­ni­za­ção de seus fun­cio­ná­rios e o efei­to catas­tró­fi­co se mul­ti­pli­ca. Em ­outros, ­alguém da equi­pe vai assu­mir a orga­ni­za­ção neces­sá­ria no grupo, mas vai aca­bar tiran­do seu foco da sua ati­vi­da­de prin­ci­pal, o que vai pre­ju­di­car os seus resul­ta­dos pes­soais", con­ta­bi­li­za Shin­yas­hi­ki.

Tem medo de se arris­car em ­ideias novas - Para Shin­yas­hi­ki, é muito raro que a equi­pe de um chefe que não se arris­ca pro­gri­da den­tro de uma empre­sa. "Se ­alguém na equi­pe tem boas ­ideias e gosta de arris­car mais, vai se frus­trar com as limi­ta­ções do chefe e pode­rá real­men­te ficar estres­sa­do e muito frus­tra­do com suas ­ideias sendo poda­das o tempo todo", afir­ma o espe­cia­lis­ta. A ten­dên­cia é que com o pas­sar do tempo, pes­soas nesse per­fil aca­bem sain­do por conta pró­pria desse tipo de situa­ção.

Quan­do o humor osci­la - A varia­ção de esta­dos de espí­ri­to é ruim em toda rela­ção. "O cola­bo­ra­dor só vai se sen­tir inse­gu­ro com as varia­ções de humor de seu líder, uma vez que ele não enten­de de fato como o seu líder fun­cio­na", con­si­de­ra Fábio Di Gia­co­mo. É impor­tan­te obser­var com que fre­quên­cia isso ocor­re. É nor­mal do ser huma­no não estar sem­pre feliz ou tris­te o tempo todo, e a situa­ção só está fora de con­tro­le quan­do as varia­ções de humor são real­men­te extre­mas.